Isabel aprendeu, ao longo da vida, a confiar em duas coisas acima de qualquer outra: na própria intuição e no silêncio que antecede as mudanças. Aos quatro meses de gravidez, ambos começaram a se manifestar com uma intensidade que ela não conseguia ignorar.
Tudo começou como uma sensação vaga.
Nada concreto. Nada que pudesse ser explicado com lógica. Apenas a impressão persistente de que não estava mais sozinha dentro de certos espaços — especialmente na clínica.
Naquela manhã, enquanto aguardava sua consulta de rotina, Isabel sentiu o desconforto antes mesmo de sentar. O ar parecia mais pesado. O movimento ao redor, excessivamente atento. A recepcionista demorou alguns segundos a mais do que o normal para chamá-la pelo nome, como se estivesse avaliando algo além da ficha.
— Isabel Duarte?
Ela se levantou devagar, a mão instintivamente apoiada no ventre já levemente arredondado. Caminhou pelo corredor branco tentando afastar o aperto no peito. Não havia ninguém atrás dela. A