POV — Isabel
Isabel saiu da clínica com uma única certeza: nada mais seria simples.
O mundo seguia igual — carros passando, pessoas falando ao telefone, o sol atravessando os prédios — mas algo havia mudado de forma irreversível. Pela primeira vez desde que tomara a decisão de ser mãe sozinha, sentia que alguém havia atravessado a linha invisível que ela desenhara ao redor da própria vida.
E do seu filho.
Ela não chorou. Não naquele momento. Choraria depois, sozinha, quando o silêncio permitisse. Agora, tudo o que existia dentro dela era um estado de alerta absoluto.
Modo de defesa.
Ligou para Marina antes mesmo de entrar no carro.
— Eles contaram — disse, sem rodeios.
— Contaram o quê? — Marina perguntou, tensa.
— Quem eu sou. Para o homem. O pai biológico.