Augusto Vilar O metal da moldura do porta-retrato estava frio, mas a imagem que ele continha queimava a minha retina. Era a foto que o Cláudio Fontes tinha postado em suas redes sociais apenas algumas horas antes: Sabrina e eu, no auge da nossa elegância, sorrindo um para o outro como se o resto do mundo fosse apenas um borrão irrelevante. Mas agora, sobre o meu rosto, havia um sulco profundo, violento, feito pela ponta de uma faca ou de um estilete. O corte atravessava meus olhos e descia até o pescoço, uma promessa silenciosa de execução. A minha mão tremeu, não de medo, mas de uma fúria tão primitiva que eu mal a reconhecia. Sabrina estava ao meu lado, os olhos fixos na mesa do escritório da L’Éclat, o rosto pálido como mármore sob a luz fluorescente da manhã. — Ele esteve aqui, Augusto — ela sussurrou, a voz carregada de uma incredulidade dolorosa. — Ele andou por este salão. Ele tocou as minhas coisas. Eu não respondi de imediato. Peguei o celular e disquei o número do In
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