Augusto Vilar O domingo amanheceu como uma pintura de Renoir, banhado por um sol que parecia ter sido filtrado por seda. A luz atravessava as grandes portas duplex de vidro da sala de campo, criando retângulos dourados no tapete persa onde a vida, em sua forma mais pura e barulhenta, estava acontecendo.Eu estava sentado no chão, encostado no sofá, com uma caneca de café esquecida ao meu lado. Meus olhos não conseguiam se desviar daquela cena. Matteo e Luiza estavam de bruços no tapete, em um estado de fascinação absoluta. Do lado de fora da vidraça, um passarinho pequeno, de peito amarelo, brincava de saltar entre os galhos de uma azaléia, alheio ao fato de que era o protagonista do maior espetáculo da Terra para dois bebês de poucos meses.Matteo soltava gritinhos agudos, uma espécie de dialeto de pura empolgação, enquanto suas perninhas gordinhas batiam freneticamente contra o chão. Luiza, por outro lado, soltava aquela risada cristalina, um som que parecia capaz de curar qualquer
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