O sábado amanheceu lento, como se o tempo tivesse decidido caminhar com cuidado.Maya acordou com o som distante de Enzo rindo no corredor, alguma brincadeira inventada antes mesmo do café da manhã. Espreguiçou-se na cama sem pressa, ouvindo a casa despertar aos poucos. Não havia sobressaltos. Não havia aquele impulso automático de calcular saídas, horários, rotas.Ela apenas levantou.Na cozinha, Enzo tentava alcançar um copo no armário mais baixo, esticando-se todo, concentrado demais para pedir ajuda.— Se cair, vai molhar o chão inteiro — Maya avisou, sem se aproximar.— Eu sei — ele respondeu. — Mas quase consegui ontem.— Ontem não conta — ela disse. — Mas hoje pode contar.Ele sorriu, determinado, e finalmente alcançou o copo. Olhou para ela, orgulhoso.— Viu?— Vi — Maya respondeu. — Conseguiu sozinho.Orion observava da porta, braços cruzados, expressão serena. Não interferiu. Apenas ficou ali, como quem aprende a assistir em vez de conduzir.— Bom dia — ele disse, aproximand
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