Nada aconteceu de forma cinematográfica.Não houve sinal.Não houve intuição súbita.Não houve frase do tipo “é agora”.O que houve foi uma sequência de pequenas decisões práticas que, vistas de longe, pareciam aleatórias — mas que, juntas, empurraram minha vida para um lugar que eu jamais teria escolhido conscientemente.O restaurante foi o primeiro limite.Não porque eu não desse conta. Eu dava. Sempre dei. Mas comecei a perceber que, se continuasse ali, minha vida inteira seria construída em função de aguentar. Horários longos, dinheiro contado, energia sempre no limite. Não era fracasso. Mas também não era avanço.Eu não tinha vindo para a cidade grande para apenas sobreviver.Foi numa noite comum, enquanto fechávamos o caixa, que uma das garçonetes comentou, sem levantar muito a cabeça:— Você fala bem, né? Já pensou em recepção, assessoria, essas coisas?— Eu? — perguntei, sem convicção.Ela deu de ombros, como se fosse óbvio.— Ué. Você organiza tudo, resolve problema sem escân
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