A manhã entrou pela janela sem pedir licença.A luz era clara demais para o que meu corpo ainda guardava, mas não me incomodou. Havia algo de estranho na forma como eu me sentia desperta, como se não tivesse dormido de verdade, apenas atravessado a noite em outro estado. Cada músculo parecia consciente, não tenso, mas atento. O toque do lençol contra a pele ainda provocava pequenos arrepios, discretos, quase indevidos para aquele horário.Ele não estava no quarto.Ainda assim, a presença dele permanecia ali, espalhada de um jeito difícil de explicar. Não era cheiro, não era calor residual. Era a sensação de continuidade. Como se o que tinha acontecido não tivesse terminado quando a porta se fechou atrás dele.Levantei devagar.O chão frio sob os pés me trouxe de volta ao agora. Respirei fundo, uma vez, duas, tentando organizar algo que não precisava de nome para existir. Aquilo não era ansiedade. Era consequência.No corredor, a casa já estava acordada.Não com pressa, mas em funciona
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