Pedro demorou um segundo inteiro para sorrir.Não foi o sorriso automático que eu lembrava da adolescência, aquele que vinha rápido e iluminava o rosto inteiro. Foi um sorriso mais contido, como se precisasse confirmar que eu era mesmo real antes de existir.— Você… — ele começou, ainda me olhando como quem tenta ajustar uma imagem fora de foco. — Você está aqui.A frase parecia simples, mas carregava tudo o que não estava sendo dito.— Estou — respondi.Por alguns segundos, nenhum de nós soube o que fazer com as mãos, com o corpo, com a distância entre nós. Ao redor, a cozinha continuava funcionando, mas agora em ritmo de encerramento. O som da água correndo na pia, o metal dos talheres, vozes cansadas conversando sobre o evento.Pedro olhou rapidamente para trás, como se lembrasse onde estava.— Eu… só preciso terminar ali — disse, apontando para a bancada.— Claro.Ele assentiu e voltou ao trabalho, mas não com a mesma naturalidade de antes. Os movimentos agora tinham pequenas paus
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