Helena percebeu que estava cansada antes mesmo de admitir para si mesma. Não era um cansaço físico comum, desses que se resolvem com uma boa noite de sono. Era algo mais fundo, uma exaustão que morava no peito, nos pensamentos que nunca desligavam, no esforço constante de ser forte, correta, equilibrada.Lucas a observava do outro lado da mesa, atento aos pequenos detalhes que ela nem imaginava estar deixando escapar. O jeito como ela mexia distraída no guardanapo, como sorria sem mostrar totalmente os olhos, como às vezes parecia estar ali apenas pela metade.— Você está quieta hoje — ele comentou com cuidado, a voz baixa, respeitosa.Helena sorriu, um sorriso automático, quase treinado.— Só um pouco cansada… — respondeu, sem entrar em detalhes.Lucas assentiu. Ele vinha aprendendo que Helena era assim: sentia muito, mas dizia pouco. Ainda assim, gostava da companhia dela. Gostava do jeito doce, do riso tímido, da forma como ela parecia enxergar o mundo com delicadeza.Depois do jant
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