Aurora ManciniA sala estava mergulhada em um silêncio pesado. Apenas o som abafado da cidade, distante, atravessava os vidros da cobertura. Aleksei estava parado à minha frente, imóvel como uma estátua que guardava segredos antigos demais para caber em palavras. Seus olhos, sempre tão insondáveis, evitavam os meus. Eu cruzei os braços, firme, mas por dentro o coração batia como um tambor.— O que mais você esconde de mim? — perguntei, sem rodeios — Quero a verdade, Aleksei. Não pedaços, não metáforas. A verdade.Ele respirou fundo. Um gesto mecânico, quase ensaiado, mas diferente. Quando abriu a boca, a voz saiu grave, marcada por algo que eu não conseguia decifrar se era dor ou alívio.— Tudo em mim é tempo, Aurora. Eu vivi pouco mais de dois séculos. Vi reinos nascerem e caírem, vi cidades queimarem até virar pó e serem reconstruídas. Já amei… e já perdi. — Os olhos dele se ergueram até os meus — Havia uma mulher. Elena. Ela era você… ou melhor, a primeira versão de você. Tão idênt
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