Aurora ManciniA guerra terminou com um estalo seco de carimbo no papel. O pedido de auditoria que ameaçava paralisar minha empresa foi derrubado em plenário. Nenhum discurso, nenhuma explosão, só uma assinatura que transformava dias de tensão em fumaça. Eu não sorri. Nunca sorri nessas horas. Mas a sensação era de vitória, e ela ardia como champanhe na garganta.Cruzei o corredor com passos firmes, advogados correndo atrás de mim para colher alguma declaração. Balancei a cabeça em silêncio e entrei no elevador. Só quando as portas se fecharam e o reflexo de aço me devolveu o rosto, deixei escapar um suspiro. A mulher do espelho parecia intacta. Só eu sabia que havia rachaduras escondidas.No carro, tirei os saltos e encostei a cabeça no banco. A bolsa estava no colo, pesada de papéis e certezas. Dentro, o envelope. O contrato com os limites que eu mesma tracei, agora com uma confissão escrita por ele. E a rosa branca. Toquei no papel como quem toca em um segredo.Em casa, a cobertura
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