Aleksei VasilievHá muito tempo eu aprendi a odiar a claridade. O sol, os refletores, até as chamas de uma vela em excesso. A luz não é feita para criaturas como eu. Ainda assim, naquela noite, entre câmeras e holofotes, eu escolhi permanecer.Aurora atravessava o saguão do edifício onde daria a entrevista ao vivo. Vestia um vestido escuro, discreto apenas na cor, porque nela nada jamais é discreto. O salto ecoava com imponência e os olhos dela brilhavam mais fortes do que qualquer lâmpada do estúdio.Eu segui a poucos metros atrás, misturado entre convidados e assessores. A pele ardia sob o calor dos refletores, um incômodo que se espalhava como brasas pelo corpo. Mas eu não recuei. Não quando ela, de cabeça erguida, caminhava para um campo minado de perguntas.A imprensa já sabia do ataque jurídico, dos rumores de expansão, das quedas e ressurgimentos. Sabiam até de boatos sobre sua vida pessoal. O que não sabiam é que cada passo dela era observado por mim, não como presa, mas como
Ler mais