NARRADOR ... horas depois, na sede dos Los Sombras O cheiro de charuto caro e o ozônio dos aparelhos de ar-condicionado em potência máxima preenchiam a sala de reuniões subterrânea, em um local não mapeado na zona portuária. Ali, longe das luzes da cidade e da vigilância oficial, o fracasso tinha um sabor amargo e metálico. Santiago Galarza, o líder do cartel Los Sombras, mantinha os olhos fixos na tela de alta definição à sua frente. As imagens eram granuladas, captadas por um drone térmico que chegara tarde demais ao Mirante das Pedras para salvar seus homens, mas a tempo de registrar o rastro de destruição. Na tela, vultos de calor se moviam. Santiago viu o momento em que a emboscada deveria ter sido o fim de Heitor Castro. Mas o que viu a seguir o fez apertar o charuto entre os dedos até que as folhas de tabaco se partissem. — Repita essa sequência — ordenou Santiago, a voz saindo como um rosnado baixo. O técnico ao lado obedeceu. Na imagem térmica, uma figura menor, nitidame
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