113. A vida após o caos
Elise Quinn Quando acordei, foi como emergir de um lugar profundo demais, onde não existia dor, nem medo, nem memória. Por alguns segundos, fiquei ali, apenas respirando, tentando entender o próprio corpo, tentando reconhecer onde eu estava.O silêncio foi a primeira coisa que me chamou atenção.Não era vazio. Era calmo.Um tipo de silêncio que não machuca, que não ameaça, que não carrega nada escondido atrás dele. Depois de tudo o que tinha acontecido, aquilo parecia quase irreal.Minha respiração ainda era lenta, pesada, como se cada movimento exigisse um pouco mais de esforço do que deveria, mas eu estava ali. Presente. Inteira.E então a memória voltou.Veio de uma vez.O tiro. O sangue. O desespero. A dor que parecia não ter fim.Minha mão se moveu instintivamente até a barriga, mas antes mesmo que o pânico pudesse crescer, outra coisa me atravessou.— O bebê… — minha voz saiu baixa, rouca, carregada de urgência.— Calma.A voz de Atlas veio imediatamente, firme e ao mesmo tempo
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