Juliana Bezerra Meus braços já queimavam.Cada passo era um pedido silencioso pra cair, pra desistir, pra parar. Mas eu não podia. Não agora. Não com a Mel agarrada em mim daquele jeito, os bracinhos finos apertando meu pescoço como se eu fosse o último porto seguro do mundo.A respiração dela vinha quente no meu ouvido, irregular.— Tia Ju… ela sussurrou, quase sem voz. Eu tô com medo…— Eu sei, meu amor. respondi, arfando. Eu também tô. Mas a gente vai conseguir, tá? A gente vai.A mata parecia viva.Não era só escura era fechada demais, sufocante. Os galhos vinham do nada, arranhavam meu rosto, prendiam no meu cabelo. Cipós batiam nas pernas, folhas escorregavam sob meus pés feridos. O chão era traiçoeiro, cheio de raízes escondidas, buracos, pedras soltas.Eu pensava o tempo todo em bichos.Cobras.Aranhas.Insetos venenosos.Meu estômago revirava só de imaginar algo picando a Mel. Eu desviava de tudo que parecia estranho, pulava quando o chão mudava de textura, prendia a res
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