Aurora Vitorino O cheiro de papel antigo e cera de madeira da biblioteca da Bocconi costumava ser o meu único momento de paz real em Milão. Era um santuário de silêncio, onde as intrigas da Famiglia e o peso do sobrenome Mancini pareciam, por breves instantes, dissipar-se entre as prateleiras infinitas de teoria econômica. Eu estava sentada em uma mesa isolada no fundo da ala de pesquisa, cercada por três livros pesados de macroeconomia e o meu caderno de anotações, o objeto mais perigoso daquela sala.Nas páginas daquele caderno, entre gráficos de oferta e demanda, eu tinha rascunhado a arquitetura da queda de Bernardo. Os fluxos de caixa que ele desviava, as empresas de fachada que eu tinha mapeado e as notas fiscais superfaturadas. Era o meu troféu de caça, e eu o guardava com a vida.Eu sentia a presença de Marco e Pietro, os seguranças de Luigi, posicionados estrategicamente perto das saídas, fingindo ler jornais financeiros. Eles eram a minha sombra invisível. Mas, às vezes, as
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