Luigi Mancini Milão não tem o calor ocre de Roma. Ela é feita de vidro, aço e uma neblina que parece carregar o cheiro de dinheiro novo e de traições antigas. Quando o nosso comboio cruzou os limites da cidade, eu senti a mudança no ar. Em Roma, o poder é sussurrado em esquinas de mármore; aqui, ele é gritado em arranha-céus espelhados. Mas, para um Mancini, o dialeto do medo é universal.Estacionei o SUV em frente ao novo prédio no Quadrilátero da Moda. Era uma construção imponente, uma joia de arquitetura moderna que destoava das ruelas estreitas que eu chamava de casa. Aurora olhava pela janela com os olhos brilhando, aquela curiosidade de dezoito anos que eu jurara proteger. Para ela, aquilo era um novo começo, a liberdade da faculdade, o nosso primeiro "lar". Para mim, era uma zona de guerra com porteiro vinte e quatro horas.— É lindo, Luigi — ela sussurrou, apertando minha mão enquanto o elevador privativo nos levava ao trigésimo andar.— É uma fortaleza, Aurora — corrigi, sen
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