Aurora Vitorino A tensão dentro daquele jardim de inverno era tão palpável que eu sentia dificuldade para respirar. O cheiro de jasmim e terra úmida, que geralmente me acalmava, agora parecia o perfume de um velório iminente. Vincenza estava parada, com o queixo erguido, desafiando a gravidade e o bom senso. Antônio, por outro lado, parecia uma caldeira prestes a explodir.— Você é uma idiota, Vincenza! Uma idiota completa! — Antônio rugiu, e o som rebateu nas paredes de vidro. — Você acha que isso é um filme? Que você é a heroína que salva a donzela em perigo e sai impune? No nosso mundo, cada ação gera uma dívida de sangue.— Eu não podia ficar parada, Antônio! — Vincenza rebateu, os olhos faiscando. — Ele ia matá-la! Você viu o rastro que eu segui? As fotos que ela me mostrou? Ela é humana, por mais que vocês, homens da organização, esqueçam o que isso significa quando estão contando o lucro do mês!Eu me aproximei deles, sentindo o frio na barriga aumentar.— Vi, o Antônio tem ra
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