– QUANDO AS SOMBRAS FAZEM BARULHO DAIANE Nada é mais eficaz do que controlar a narrativa. Aprendi isso cedo. Não importa o que é verdade — importa o que parece verdade. E, naquela manhã, eu tinha certeza de que as imagens fariam exatamente o que eu precisava: confundir, ferir, provocar. O fotógrafo estava posicionado do outro lado da rua quando saímos do prédio. — Mais perto — murmurei para William, segurando seu braço com naturalidade calculada. — Vai parecer estranho se andarmos separados. Ele hesitou por um segundo. Tempo suficiente para que a câmera registrasse. Flash. — Não gosto disso — ele comentou, sério. — Essas pessoas não têm limite. — Eu sei — respondi, com um sorriso dócil. — Mas, às vezes, é inevitável. Inclinei levemente o rosto em direção ao dele, como quem compartilha um segredo. A proximidade foi suficiente. O clique veio de novo. Mais tarde, no carro, abri o celular e vi a primeira notificação. “Ela voltou.” Rolei a tela. “William é flagrado em clima
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