O dia amanheceu com um silêncio estranho, desses que não incomodam de imediato, mas avisam. Júlia percebeu antes mesmo de abrir os olhos. Havia algo suspenso no ar, como se a vida estivesse segurando a respiração.Daniel já estava acordado. Sentado na beira da cama, vestia a camisa devagar, o olhar perdido em algum ponto invisível.— Você não dormiu bem — ela disse, sem ser pergunta.Ele virou o rosto, oferecendo um sorriso incompleto.— Dormi o suficiente.Júlia sentou-se, puxando o lençol contra o corpo.— Daniel…Ele respirou fundo, como quem decide não fugir.— Eu recebi uma ligação cedo demais para ser casual — disse. — Do hospital.O coração de Júlia deu um salto curto, seco.— Quem?— Helena.O nome caiu no quarto como um copo quebrado. Não fez barulho, mas espalhou estilhaços.— O que ela quer agora? — Júlia perguntou, mantendo a voz firme por fora, mesmo sentindo o corpo reagir.— Ela foi internada durante a madrugada. Um colapso nervoso, segundo o médico. — Daniel passou a m
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