A vida não esperou que Júlia assimilasse tudo com calma.Na semana seguinte, o ritmo acelerou de forma quase brusca. O projeto do curso exigia mais horas, mais decisões, mais exposição. Daniel, do outro lado, mergulhava cada vez mais fundo na nova rotina, tentando provar competência sem usar o trabalho como fuga. Os dois seguiam conectados, mas agora em um nível mais silencioso, menos narrado, mais vivido.Júlia percebeu isso numa terça-feira à noite, quando chegou em casa exausta, deixou a bolsa cair no chão e ficou alguns minutos sentada no sofá, olhando para o nada. Pegou o celular para ligar para Daniel, mas parou antes de discar.Não porque não quisesse falar com ele.Mas porque, naquele momento, precisava ouvir a própria voz primeiro.Foi até a cozinha, abriu uma garrafa de água e encostou na pia. O reflexo no vidro da janela lhe devolveu uma imagem diferente. Não havia tensão no rosto. Havia cansaço honesto. E isso, curiosamente, lhe pareceu bonito.— Eu estou vivendo — disse e
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