A mudança começou em um sábado sem data marcada para ser especial. Ainda assim, Júlia acordou com a sensação de que algo estava se reorganizando por dentro. Não era expectativa. Era encaixe.Ela ficou deitada por alguns minutos, ouvindo os sons da casa. Daniel estava na cozinha, o barulho baixo de gavetas, água correndo, passos tranquilos. Aquela rotina ainda era nova, mas já não parecia provisória.Quando se levantou, encontrou-o descalço, preparando café, o rosto relaxado de quem não estava correndo atrás do dia.— Bom dia — ela disse, encostando-se ao balcão.— Bom dia — ele respondeu, inclinando-se para beijá-la. — Dormiu bem?— Dormi em paz — Júlia respondeu. — Acho que isso virou hábito.Daniel sorriu.— Ainda bem.Sentaram-se à mesa, dividindo o café e o silêncio confortável que vinha se tornando parte da linguagem deles. Júlia observava os movimentos dele, simples, cotidianos, e sentia algo que nunca tinha experimentado antes: não precisava antecipar nada. Não precisava se pre
Ler mais