Capítulo 27Dante GuimarãesO avião pousou em solo italiano ainda antes do amanhecer, quando o céu era um cinza espesso e pesado, o tipo de luz que parece esconder segredos.Perfeito pra mim, perfeito pra nós.Helena dormiu metade do voo apoiada no meu ombro, mas não era o sono leve e assustado de semanas atrás. Era sono de gente que está se recompondo. Juntando forças, acumulando em silêncio.Quando descemos, o ar frio bateu no rosto dela e a fez puxar o casaco mais perto do corpo. Eu toquei sua cintura, não para guiá-la, mas para lembrar ao mundo que ela não estava sozinha, nunca mais estará.E o mundo pareceu entender.As portas automáticas se abriram e eu vi Vittorio — meu irmão — encostado num carro preto, expressão séria, ombros tensos, olhar afiado.Ele só relaxou quando me viu.— Finalmente — ele soltou, vindo em nossa direção.Nos encontramos no meio do caminho. Ele me puxou para um abraço rápido, mas firme, como quem guarda milhares de conversas não ditas.— Obrigado — ele m
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