Luca veio me procurar numa manhã de terça, quando o sol ainda estava baixo sobre Ravenmoor e o ar trazia aquele frio fino que marca o começo da primavera. Ele ficou parado na porta da casa dos Hargrove por um tempo antes de bater — eu soube porque o vi pela janela do quarto, apoiado na grade de ferro que Kai havia ajudado a pintar anos atrás, e esperei.Abri antes da segunda batida.Ele era parecido com Kai em alguns ângulos — a estrutura do rosto forte e definida, a largura dos ombros que pareciam carregar peso mesmo quando estavam relaxados, aquela presença física que toda a linhagem Blackwood carregava como uma marca. Mas onde Kai tinha aquela leveza de humor que chegava antes de qualquer palavra, um sorriso que desarmava até as conversas mais difíceis, Luca era mais quieto, mais fechado, como um livro antigo que você precisava de tempo e paciência para aprender a ler.— Posso entrar? — disse, a voz baixa na calma da manhã.— Pode. — Dei um passo para trás, deixando-o passar. A cas
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