A noite anterior ao plano, ninguém dormiu de verdade.Eu sabia disso porque fui até a cozinha às duas da manhã para beber água e encontrei a Sra. Hargrove sentada à mesa — não acordada por causa de mim, não por causa de nada externo, mas com aquele olhar de pessoa que parou de fingir que ia conseguir descansar. Ela me viu entrar e não disse nada, o que era raro. Geralmente havia algum comentário no reservatório.Servi a água, fui embora, voltei para o quarto. Não perguntei nada. Ela também não.Mas havia algo naquele momento — brevíssimo, banal — que ficou comigo. A Sra. Hargrove havia guardado uma pasta por mais de dez anos sob instrução de um homem com símbolo de matilha no pulso. Havia feito aquilo sem afeto particular por mim e sem me explicar absolutamente nada. Mas havia feito. E enquanto subia a escada de volta para o quarto, me perguntei se isso, a seu modo torto e insuficiente, era o máximo que ela tinha.Não a perdoei. Mas parei de gastar energia em raiva.* * *Kai apareceu
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