O sábado começa diferente.Sem despertador. Sem telefone vibrando. Sem reuniões na cabeça.Acordo com um som que ainda me surpreende, mesmo depois de meses. Um resmungo curto, seguido de outro. Depois um chorinho baixo, mais manha do que choro.Abro os olhos devagar.O Marcos já está sentado na cama, cabelo bagunçado de qualquer jeito, olhando pra mim com um sorriso cansado.— Oi, dorminhoca?Suspiro e sorrio também.— Já acordei,ri.Ele coloca os dois ao meu lado. Estão acordados. Olhos abertos. Atentos. Me seguindo com o olhar como se eu fosse a coisa mais interessante do mundo.— Bom dia — digo, baixo. — Vocês dormiram bem ou só fingiram?Eles respondem com sons que só eles entendem.— Acho que precisam trocar as fraldas — ele diz.Troca um primeiro, depois o outro. A fralda fica meio torta. Eu observo sentada, rindo dele.— Marcos…— Tá bom — ele responde. — Já entendi.Arruma melhor. Eles se mexem, inquietos, mas não choram. Me observam. Curiosos.— Vocês estão espertos demais pr
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