NollanCinco meses antesO ambiente no quarto de Syara era o meu refúgio e, ao mesmo tempo, a minha maior dor. O cheiro a antisséptico e flores frescas misturava-se com o peso do silêncio que se arrastava há meses. Eu estava sentado na poltrona ao lado da cama, com o meu filho ao colo. Ele tinha quatro meses, uma vida inteira de descobertas pela frente, mas ali, naquele quarto, o mundo parecia ter parado.O bebé começou a chorar — um som estridente, agudo, que cortava a monotonia do monitor cardíaco que marcava o ritmo da vida da Syara. Ele agitava-se, desconfortável, as pernas a chutarem o ar. Suspirando, levantei-me e coloquei-o sobre o trocador improvisado na ponta da cama dela.— Calma, pequeno. Já está, já está — murmurei, tentando manter a calma enquanto lutava com o fecho da fralda que teimava em não abrir.O bebé não parava. O choro subiu de tom, transformando-se num berreiro desesperado que ecoava pelas paredes frias. Eu sentia-me exausto, a pele marcada pelas noites em claro
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