Naila
•Oito meses antes.
O metal do carro guinchou, um som ensurdecedor que parecia querer perfurar os meus tímpanos. O mundo rodopiava lá fora — borrões de luz e asfalto misturando-se numa dança caótica que eu não conseguia acompanhar. Senti o impacto final, seco, e então o silêncio. Um silêncio estranho, pesado, interrompido apenas pelo estalar do motor morrendo.
Antes de o escuro me reclamar, senti mãos. Mãos firmes, quase impessoais, agarrando-me pelos omb