POV Amara Ouço a porta se abrir quase três da manhã. O som do trinco ecoa no apartamento silencioso, e o relógio sobre o aparador parece zombar de mim, tic, tac, tic, tac, enquanto eu espero Dominic atravessar a sala. Ele entra cambaleando, a gravata solta, a camisa meio aberta, o rosto pálido e o olhar perdido. A expressão dele me dá medo antes mesmo que eu perceba por quê. — Dominic… — digo, levantando do sofá. — Onde você estava? Ele não responde. Só balança a cabeça, como se quisesse afastar um pensamento, e larga a chave sobre o balcão com força demais. — Você está bêbado. — afirmo. — Um pouco. — ele murmura, voz rouca, arrastada. — Aconteceu alguma coisa? — Nada que já não estivesse acontecendo antes. — responde, andando até a cozinha. Vejo quando ele serve um copo d’água, mas as mãos tremem. Parte da água escorre pelo vidro. Ele bebe mesmo assim, engolindo como quem tenta apagar algo que o consome por dentro. Há algo errado. Algo grande. Me aproximo devagar. — Domin
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