O relógio no quarto de hotel marcava 02h43. A madrugada em Genebra era silenciosa, fria, e indiferente à ruína de Yahya Al-Rashid.Ele andava em círculos pelo carpete grosso, os olhos fundos, a barba por fazer. No monitor do notebook, as últimas imagens da coletiva de imprensa ainda estavam congeladas — o rosto de Isabela projetado em alta definição, declarando fidelidade com mais força do que qualquer título real.— Eles te transformaram em mito… — murmurou Yahya, esfregando os olhos com as mãos trêmulas. — Isso não era parte do plano.No canto da mesa, uma pasta vermelha permanecia lacrada. Era sua última carta: o dossiê falso que ele havia mandado confeccionar semanas atrás, com dados manipulados, e-mails plantados e uma montagem capaz de comprometer não apenas Isabela, mas o próprio Zayn.Era uma aposta suja. Mas era a única que lhe restava.Ele abriu a pasta devagar, como quem abre um caixão.Dentro, havia fotos desfocadas, áudios recortados com inteligência artificial, uma supos
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