Capítulo 150 — Não... não pode ser..
Helena Narrando…Desde o instante em que desliguei o telefone, tudo dentro de mim se reorganizou em torno de um único eixo: Antony. O mundo, com todas as suas exigências, tensões e sutilezas, perdeu relevância imediata. Restou apenas aquela sensação crua, visceral, de que algo estava errado — e de que a distância entre nós era grande demais para ser suportada com lucidez.A febre alta não saía da minha cabeça. O tom contido da pediatra, profissional demais para ser tranquilizador, ainda reverberava nos meus ouvidos. “Precisamos observá-lo.” Aquela frase simples carregava um peso que esmagava o peito. Antony nunca ficava doente daquele jeito. Sempre foi resistente, ativo, risonho. A imagem dele prostrado, quente demais ao toque, me perseguia com uma insistência.O trajeto até o aeroporto pareceu irreal. Tudo acontecia ao meu redor como se eu estivesse submersa, ouvindo o mundo por camadas de água espessa. Lorenzo estava ali, presente fisicamente, mas distante de uma forma que me causav
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