Capítulo 142 — O beijo veio...
Helena Narrando…
Depois daquela ameaça dita em tom baixo, mas carregada de uma certeza — ou vem caminhando comigo… ou eu te carrego — algo em mim se desorganizou por completo. Não foi medo. Foi reconhecimento. Um reconhecimento antigo, visceral, daquele homem que nunca blefava quando a voz adquiria aquela densidade contida. Ainda assim, busquei nos olhos dele qualquer resquício de exagero, de encenação, de impulso vazio. Não encontrei nada. Havia apenas verdade. Uma verdade firme, imóvel, decidida. Lorenzo não estava brincando.
— Vai me levar pra onde? — perguntei no automático, mais para me ouvir falar do que por real curiosidade.
— Vamos conversar. Eu tenho muito pra falar… e você pra me explicar.
As palavras dele ecoaram em mim com um peso desproporcional, como se cada sílaba carregasse dois anos inteiros de silêncio, expectativa e dor mal resolvida. Quando dei por mim, já estava entrando no elevador. Minhas pernas não respondiam com a precisão de antes; era como se o corpo tivesse