Helena Narrando…
Acordei devagar, como quem emerge de um lugar fundo demais para voltar de uma vez. Primeiro veio a luz — uma cor dourada atravessando as frestas da cortina pesada, riscando o quarto com a promessa impiedosa da manhã. Depois, o silêncio. Não o silêncio vazio da madrugada, mas aquele outro, espesso, carregado de vestígios. O ar ainda guardava um calor íntimo, um perfume misturado que não precisava de memória para ser reconhecido. Meu corpo respondeu antes da razão: um cansaço pro