A noite em São Paulo não era escura. Era elétrica. As ruas brilhavam com faróis, sirenes distantes e aquele tipo de barulho constante que fazia parecer que o mundo nunca dormia — apenas trocava de máscara. Melina atravessou o estacionamento subterrâneo da sede da HEM sem pressa. Não porque estava calma. Mas porque, quando ela caminhava devagar, as pessoas tinham mais medo. A Mamba estava encostada no carro preto, de braços cruzados, a jaqueta aberta, a arma escondida, o olhar de quem não acreditava mais em humanidade há muito tempo. — Você tem certeza? — ela perguntou. Melina abriu a porta do motorista.— Não. A Mamba arqueou a sobrancelha. — Então por que tá indo? Melina ligou o carro. — Porque eu não posso deixar Miguel escolher quem eu viro. A Mamba entrou no banco do passageiro. — Ele já escolheu. Você só tá decidindo se aceita. O motor ronronou. E as luzes do prédio ficaram para trás. Aline morava num lugar que não combinava com ela. Um prédio antigo, num bairro i
Leer más