O problema do raio não é o clarão.
É o silêncio que vem depois.
Melina sentiu isso no instante em que abriu os olhos naquela manhã. Não havia mensagens urgentes. Nenhum alerta piscando. Nenhuma ligação perdida.
Era o tipo de calma que só existe quando algo foi decidido sem você.
Ela se levantou devagar, o corpo pesado, como se cada músculo tivesse passado a noite em estado de alerta. A cidade seguia lá fora, indiferente, viva demais para quem estava prestes a perder algo.
O celular vibrou às 06