O problema do raio não é o clarão.
É o silêncio que vem depois.
Melina sentiu isso no instante em que abriu os olhos naquela manhã. Não havia mensagens urgentes. Nenhum alerta piscando. Nenhuma ligação perdida.
Era o tipo de calma que só existe quando algo foi decidido sem você.
Ela se levantou devagar, o corpo pesado, como se cada músculo tivesse passado a noite em estado de alerta. A cidade seguia lá fora, indiferente, viva demais para quem estava prestes a perder algo.
O celular vibrou às 06h11.
Número desconhecido.
Ela atendeu.
— Bom dia, Melina — disse Miguel, com uma tranquilidade estudada. — Dormiu bem?
O sangue gelou, mas a voz dela não mudou.
— O que você fez?
Ele riu baixo.
— Sempre direto. É por isso que eu te amei.
Silêncio.
— Onde está o Kauan? — perguntou ela.
Miguel não respondeu de imediato.
— Você sempre escolhe a causa — disse ele. — Estou curioso para ver se vai escolher diferente agora.
A ligação caiu.
Melina não gritou.
Não chorou.
Não perdeu tempo.
Vestiu-se em s