CalebPamela estava deitada no quarto, o corpo pesado demais para lutar contra o próprio cansaço. O médico mandou ela tomar os calmantes, disse que era preciso, que o corpo dela não aguentaria aquele nível de estresse por muito tempo. Mesmo assim, o sono não vinha limpo. Eu via. Mesmo dopada, ela se mexia, franzia a testa, soltava pequenos gemidos, como se estivesse presa num pesadelo sem saída.A minha mãe estava sentada na beira da cama minutos antes. Chorava em silêncio, daquele jeito que dói mais. Quando saiu do quarto, levou a mão à boca para abafar o choro, mas eu escutei mesmo assim. Sempre escuto.Meu pai ficou na sala. Um copo de uísque na mão, parado, encarando o nada. Meu pai nunca foi de beber muito. Aquilo, por si só, já dizia tudo. Ele girava o líquido devagar, como se estivesse tentando achar respostas dentro do copo. Eu sabia que ele estava se culpando. Todos nós estávamos.Cheguei mais perto da Pamela e me sentei na beira da cama. Passei a mão no cabelo dela, com cui
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