Pamela
Eu já estava pronta para mentir.
Essa foi a parte mais difícil de aceitar dentro de mim. Não era só medo, não era só desespero. Era a consciência clara de que eu ia olhar para alguém que dizia ser meu irmão e não contar toda a verdade. Ia encenar. Ia observar. Ia fingir que estava quebrada — mesmo já estando.
Sentei no sofá da sala como quem espera uma sentença. O telefone na mesa, a tela virada para cima. Cada segundo parecia mais longo que o outro. O silêncio da casa era pesado, sufocante. Até os policiais falavam baixo, como se qualquer som mais alto pudesse chamar o pior.
Quando o telefone tocou, eu quase não consegui atender.
Minhas mãos tremiam tanto que precisei usar as duas para segurar o aparelho. O número era privado. Meu coração disparou.
— Alô… — minha voz saiu fraca. Nem precisei fingir.
A voz do outro lado era fria. Mecânica. Sem emoção nenhuma.
— Dez milhões de reais. — disse, direto, como quem pede um café.
Senti o ar faltar.
— Pelo amor de Deus… — eu chorei. Ch