Daniel
Eu saí da casa da Pamela com o maxilar travado e o peito em chamas. Se ódio tivesse peso, eu teria afundado o chão da mansão Belmont a cada passo. Mantive a postura até o último segundo — cabeça baixa, expressão de preocupação ensaiada, a mão no ombro dela como quem quer proteger. Por dentro, eu queria quebrar tudo.
Entrei no carro e fechei a porta com força demais. Respirei fundo. Uma, duas, três vezes. Não adiantou. A raiva continuava ali, espessa, grudada na garganta. Eles estavam desconfiados. Não totalmente, mas o suficiente para me deixar alerta. Pamela tinha chorado de verdade — eu reconheço choro verdadeiro — e Caleb… Caleb estava me observando. Não como um irmão. Como um predador mede outro.
Engatei a marcha e saí.
Meu plano era simples naquela noite: encontrar os caras, alinhar o próximo passo, apertar o cerco. A ligação dela tinha sido do jeito que combinamos — o pedido alto, o desespero, o teatro completo. Mas algo tinha mudado no ar. O olhar de Caleb não saía da mi