Clara Mendes tinha vinte e sete anos, mas se sentia com cinquenta. O vestido leve de algodão azul que vestia, o mesmo que Gustavo havia aprovado de manhã, agora parecia uma prisão. Cada passo ecoava como um lembrete: não corra, não olhe para os lados, não chame atenção.— Você acha que pode me enganar, Clara?A voz de Gustavo era ameaçadora. Ele segurava seu braço com tanta força que os dedos afundavam na carne macia acima do cotovelo. Ela sentiu o local latejar de dor, mas não ousou se soltar. Já havia aprendido, da pior forma possível, que resistência só piorava tudo.— Gustavo… por favor — murmurou ela, a voz quase inaudível em meio ao barulho da rua. — Eu nem olhei para aquele homem. Estava só… distraída.Ele a puxou com violência, girando-a para encará-lo. Os olhos castanhos que um dia ela achara intensos agora eram poços de paranoia e raiva. O rosto bonito, de traços bem desenhados, estava distorcido pela fúria. Aos trinta e dois anos, Gustavo Silva ainda mantinha o porte de que
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