Capítulo 6

Aquele maldito idiota beija bem demais para o meu próprio bem.

Eu ainda consigo sentir o gosto dele na minha boca, uma mistura de uísque caro e perigo. Só de fechar os olhos, a cena se repete: o corpo dele prensado contra o meu na porta do banheiro, a força das suas mãos me dominando e aquele beijo... Caramba, aquele beijo deixou meu clitóris pulsando de um jeito que eu nunca senti antes.

Eu senti a ereção dele contra a minha barriga. Sentir aquele pau duro, imponente através da calça dele, me deixou encharcada. Por mais que eu tente negar, estou excitada por aquele convencido. Do jeito que ele se posicionou, deu para perceber que ele tem exatamente o que eu gosto: um cacete enorme e grosso. Delícia de homem, mas um babaca completo.

Vê se pode ele me chamar de chata! Logo eu, que sou a personificação do respeito e quase uma santa — bom, uma santa com alguns pecados guardados, mas ainda assim. Ele nem me conhece e já foi todo grosso, me tratando como se eu fosse uma garota mimada que não olha por onde anda.

Quem ele pensa que é? Já basta minha mãe tentando controlar cada passo meu, agora vem esse deus negro e lindo querer me dar sermão? Cara louco. Louco, lindo e com o beijo mais viciante que já provei. Eu tento focar no ódio, mas meu cérebro só quer repetir aquele beijo em *looping*.

Estou deitada na minha cama, olhando para o teto, mas meus pensamentos estão a quilômetros daqui. Eu vou voltar naquela boate. Vou voltar só para provocá-lo, para mostrar que ele não me assusta. Mas, desta vez, vou sozinha. Minha amiga Hadiya parece estar vivendo o próprio drama mexicano.

Quem diria? Logo ela, a alma mais pura que conheço, apaixonada pelo chefe. E o pior: um homem casado. Eu dei força para ela ficar com ele — afinal, a química entre eles na boate era palpável —, mas ela ficou furiosa. Eu até tentei remediar, dizendo que era brincadeira, mas a verdade é que o Sr. Martinez é uma tentação. Eu jamais ficaria com um homem casado, por mais gato que fosse, mas a Hadiya não resistiu. E agora a coitada está com a consciência pesada, achando que vai arder no inferno.

Safado! Se ele fizer a minha amiga sofrer, eu mesma acabo com ele. Ela já sofreu demais na vida para ser brinquedo de homem comprometido.

Mas, falando em homens que nos deixam loucas... Matheson.

Sim, eu já descobri o nome do gostoso. Elementar, meus caros: eu precisava saber quem era o dono daquela boca. Matheson é amigo do tal Martinez, e saber disso só aumentou meu fogo. Estou aqui, com a vagina latejando, imaginando o pau dele dentro de mim no lugar dos meus dedos.

Não aguentei. Minha mão escorregou para dentro da calcinha, buscando o alívio que só eu sei me dar. Comecei devagar, acariciando meu clitóris, sentindo a lubrificação aumentar. Fechei os olhos e imaginei o rosto dele, o sorriso prepotente, as mãos grandes me segurando. Enfiei dois dedos e comecei o movimento de vai e vem, acelerando conforme a imagem dele ficava mais nítida na minha mente.

Gozar chamando o nome dele foi um erro, eu sei. Mas eu não tenho pudor com meu próprio corpo. Se o tesão aperta, eu mato o desejo. Mas nada substitui o que eu realmente queria: ele, aqui, me fazendo perder o juízo.

Meus devaneios foram interrompidos pelo toque estridente do celular. Era Hadiya. Atendi já sentindo que algo estava errado.

— Lara... ela me expulsou. A Maria me expulsou de casa — a voz dela estava embargada, desfeita em lágrimas.

O ódio subiu pela minha garganta. Maria, a irmã da falecida Maitê, era uma velha maldita do inferno. Como ela podia fazer isso? Hadiya viveu a vida toda naquela casa, cuidando de todo mundo, sendo a base de tudo, e agora era descartada como lixo?

— Amiga, eu vou matar essa mulher! Como ela tem coragem? — gritei, já levantando da cama. — Onde você está? O que você vai fazer?

— Eu não sei, Lara... Minha cabeça está explodindo. Sou uma pecadora, perdi tudo... Minha família me abandonou, meu único amigo de infância sumiu e agora nem teto eu tenho. Eu só tenho você.

Ouvir o choro dela me partiu ao meio. Hadiya é uma guerreira que se sente um nada. Ela se sente culpada por ter se envolvido com o chefe, acha que tudo de ruim que está acontecendo é um castigo divino.

— Escuta aqui: você não é pecadora de nada! Você é humana e merece ser feliz. Eu queria muito que você ficasse aqui em casa, mas você conhece meus pais... eles são totalmente sem noção e transformariam sua vida em um inferno ainda maior. Mas eu vou aí agora ficar com você.

— Não precisa, amiga. Já está tarde e você tem que trabalhar amanhã. Eu só precisava conversar, senão ia infartar de tanta dor. A Maitê me faz tanta falta... Por que ela teve que partir?

Conversamos por um longo tempo, até que ela pareceu se acalmar um pouco. Prometi que tudo ficaria bem, embora eu não soubesse como. Acabei pegando no sono com o coração pesado.

Acordei com a luz do sol entrando pela janela e uma mensagem da Hadiya dizendo que já estava no trabalho. Senti um alívio imediato. Eu sabia que o Sr. Martinez cuidaria dela. Ele é um cafajeste por ser casado, mas não posso negar que ele protege a Hadiya com unhas e dentes. Na boate, ele quase me fuzilou com o olhar só porque a deixei sozinha por dez minutos para dançar.

Fiquei pensando... se o Martinez é tão protetor com ela, o que o Matheson faria comigo se eu fosse "dele"?

Afastei o pensamento. Eu não sou de ninguém. Sou livre. Mas a ideia de ser dominada por aquele negro maravilhoso ainda faz minhas pernas tremerem. Hoje o dia vai ser longo, mas a noite... a noite promete mais um round de provocações. Ele que me aguarde.

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