Aqueles que correm ao redor da montanha

Aqueles que correm ao redor da montanhaPT

Bell Pepper  Em andamento
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Resumo
Índice

Depois que a tragédia da vida de Vincent aconteceu, ele passou a acreditar que arrastaria sua maldição para onde quer que fosse. O que ele não esperava era que um grupo de pessoas aparentemente desconectadas umas das outras surgissem em sua vida em um emaranhado de acontecimentos, má sorte, criaturas nebulosas, e corvos oníricos portadores de más notícias.

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40 chapters
Introdução
Ele acordou bruscamente, com a respiração irregular e o corpo coberto por uma camada pegajosa de suor. Vince fechou os olhos e deu a si mesmo tempo para se recuperar do pesadelo que o havia despertado. Enfiou as mãos nos cabelos longos e os tirou do rosto enquanto sua mente clareava o suficiente para começar a controlar o fantasma do pavor que lhe percorrera.Olhou em volta e viu que Travor ainda dormia pesadamente do outro lado do quarto, o que significava que não houveram gritos ou coisas sem sentido ditas durante o seu sono, como era de hábito. Ele não se lembrava de conseguir dormir uma noite inteira desde que tinha onze anos.Tendo recuperado o fôlego, Vince se levantou no escuro e foi até a pequena cozinha do apartamento em que moravam, encheu um copo d’água e tomou a metade. As im
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Aquela que roubava velhinhas
O uniforme do Parlour’s Café era minúsculo, Cora o odiava e passava mais tempo ajeitando a mini-saia lilás em volta da cintura do que prestando atenção nos clientes. Por sorte, ela tinha planos para deixar a espelunca, a cidade, o país, naquele dia mesmo, e não teria mais que se sentir como parte do cardápio.Cora inspecionou as mesas e escolheu a dedo qual seria a última pessoa que ela atenderia. No canto, solitário, estava um homem, com os olhos verde-claros fixos na tela do notebook, tinha a pele bronzeada, cabelos na altura dos ombros, muito lisos, que o faziam se mexer de tempos em tempos, para colocar as mechas atrás da orelha. Ele era bonito, mas o que se destacou nele o suficiente para fazê-la ir em sua direção foi a expressão determinada
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Aquele que tinha dezoito anos
Quando partiu de Louisiana ainda era de manhã. Quando abriu o porta-malas do carro que roubou e encontrou um rapaz amordaçado lá dentro, faltava um pouco para o meio dia. O garoto, Tony, era um chorão. Não calava a boca e reclamava tanto que Cora se arrependeu de ter tirado a fita da boca dele.— Estou com fome. – disse ele pela décima vez.Cora nem o dignou com uma resposta, percebeu cedo que mandá-lo fazer silêncio não adiantava.— Sério. Eu estou com muita fome. Tipo, faz um século que eu não como nada. – Quanto mais ele falava, mais Cora tinha vontade de bater a própria cabeça no volante, impaciente. Ela também estava morrendo de fome,
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Aquela dos cabelos selvagens
A luz do sol já os havia abandonado completamente e a lua estava alta no céu.Miranda tinha a atenção dividida entre a voz de Tony e o ruído do vento entrando pelas janelas, sentindo a vibração do motor e do atrito das rodas no asfalto. Por mais estranho que aquele encontro tenha sido, Miranda estava contente por poder ficar quieta e respirar um pouco, sem se preocupar com sua própria vida.— Meus pais não me deixavam fazer nada e depois que eles se separaram ficou ainda pior. Eu juro que achei que isso ia aliviar um pouco pro meu lado, sabe? Mas meu pai não se dobra, não mesmo. – Tony continuou falando e de vez em quando Cora balançava a cabeça de uma lado pro outro, sem dizer nada, mas com jeito de quem não aguentava mais ouvir o que não tinha
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Aqueles que não tinham rosto
Que merda, June pensou, ao perceber que estava acordando e sentindo como se todo o seu corpo tivesse passado por um triturador. Tentou engolir, mas a boca estava tão seca que sua língua mais parecia uma lixa e os lábios grudavam um no outro. A dor latejante na cabeça era uma constante, pulsando sem parar, fazendo seu estômago embrulhar no mesmo ritmo. Sua cabeça estava rachada, uma concussão na certa, e June não queria estar no corpo pra isso, não queria mesmo.Abriu os olhos e a luz que atingiu suas pupilas era o mesmo que uma chuva de adagas em seu cérebro. June se inclinou para frente e vomitou no tapete do carro.— Ai, porra. Tá
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Aquilo cheio de garras
Cora ignorou os alertas de seu corpo – coração acelerado, os pelos arrepiados dos braços, o leve tremor das mãos – e levantou-se, determinada a não permitir que contos de assombração a intimidassem. Ela não iria se dispor a engolir a narrativa que lhe empurravam goela abaixo, mas admitia que algo não estava normal, mesmo para os seus padrões.Viu Tony desdobrar o papel e revelar um mapa, ele era antigo e tinha várias marcações, embora fosse fácil encontrar a mais recente. Cora olhou por cima do ombro de Tony até identificar o lugar onde estavam e seguir a linha até a casa que Vince se referira. Se tratava de um local rural, não muito longe, que exalava cheiro de armadilha. Ela estalou a língua e se afastou.<
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Aquela que sonhava
Pararam por alguns instantes para que Tony pudesse ir com Cora para o banco de trás, onde tinha mais espaço, e tentasse fazer o seu melhor para emendá-la com os poucos recursos que possuíam. Logo acima do tornozelo haviam três cortes profundos, além de algumas outras escoriações.O sangue saía das feridas em pulsos, grosso e escuro, quase preto. Tony ficou zonzo com a visão daquilo, nunca tinha se deparado com uma mutilação como aquela e o cheiro não ajudava em nada com suas náuseas. Era uma mistura pungente de ferrugem e podridão, como o lixo da cozinha que ele costumava se esquecer de jogar fora e com o qual ele só conseguia lidar depois se estivesse protegido com luvas de borracha.Miranda estava quieta, para variar, uma pequena bênç&at
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Aqueles que se satisfaziam com pouco
O lugar era um chalé.June não sabia o que ele estava esperando, mas não era uma casinha de madeira resumida a um quarto, um banheiro e uma cozinha minúsculos, armários repletos de comida enlatada e camadas de poeira sobre os móveis.Até que não é nada mal, pensou, seria quase aconchegante se não fosse pelas condições que o haviam levado até ali e a companhia que tinha.— Olha por aí se tem alguma coisa pra perna dela. – Tony pediu, depois que os dois a colocaram na cama, enquanto começava a tirar os tênis dela. — Eu acho que a gente precisa de antibióticos e de antisépticos.—
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Aquela que pensava demais na morte
    — Cora, espera, não. – Miranda se apressou para segurar Cora pelos braços quando percebeu que além da inquietação ela também planejava se levantar, assustada. Já havia sido difícil o suficiente remendar as feridas dela, não ia permitir que um terror noturno colocasse o trabalho todo a perder. — Tá tudo bem agora. Você está segura aqui.Pelo canto de olho, Miranda percebeu que Tony acordou, mas ficou meio sentado meio deitado, observando de longe. Os olhos de Cora estavam abertos, mas desfocados, sua consciência distante do presente. Cora mordia o lábio inferior com força agora, como se, mesmo dormindo, estivesse segurando vontade de chorar.Ler mais
Aquilo que informava
Travor segurava firmemente entre os dedos o medalhão que seu mentor lhe dera de presente pouco antes de sair para a sua última jornada, se tratava de um nó celta cujo desenho tomava a forma de um pentáculo. Era o seu talismã da sorte e ele nunca saía ou fazia coisa alguma sem tê-lo por perto.Quinn ensinou a Travor tudo o que ele sabia, e não fora apenas seu mentor, mas a figura mais perto da de um pai que ele já teve. O homem o literalmente tirou das ruas, um adolescente abandonado, expulso de casa pelo simples fato de ser diferente do que a sociedade espera de um garoto, tendo ele nascido em um corpo feminino.O acolhimento que recebeu quando começou sua caminhada com Quinn mudou a sua vida para sempre e se apegar ao medalhão mantinha a presença de Quinn viva e próxima,
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