Porque você me amou

Porque você me amouPT

Manuella Araujo  concluído
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Resumo
Índice

Quando Lily bateu à sua porta, Sullivan já havia descartado todas as possibilidades de contratar uma cuidadora para Collin. Mesmo assim, sentindo uma empatia instantânea pela moça resolveu lhe dar uma oportunidade. Lily é diferente das outras garotas. Com uma sabedoria incomum para sua idade e uma habilidade única de enxergar o melhor das coisas, ela logo cativa Sullivan e desperta a antipatia de Collin, que vive refugiado em seu próprio mundo, determinado a repelir qualquer pessoa que ameace afetá-lo. Collin é consumido pela tragédia que o marcou física e emocionalmente, mas sua perspectiva começa ser abalada à medida que Lily se aproxima dele. Porém o mistério que a circunda pode esconder as verdadeiras intenções dela. O amor é capaz de dissipar as dores do passado e resistir a um futuro improvável?

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38 chapters
Capítulo 1
O táxi amarelo subiu a ladeira e parou em frente ao imponente casarão de muros cobertos com musgos. Santa Tereza, bairro da Zona Central do Rio de Janeiro, conhecido pelas antigas mansões, ruas íngremes e sinuosas, e estilo de vida boêmio. Lily ergueu o olhar apreensivo através da janela do carro e respirou fundo. Estar ali era importante, ao mesmo tempo, angustiante, mas sentia que daria tudo certo. Tinha que dar certo. Segurando um envelope nas mãos, colocou a bolsa no ombro, pagou a corrida e andou até o portão de ferro. Anunciou sua presença no interfone e quando a entrada foi liberada, passou pelo estreito caminho de tijolos até a varanda de estilo colonial. Enquanto aguardava a proprietária do imóvel, observava o ambiente. A sala era pouco iluminada, com paredes revestidas de ladrilhos holandeses, um denso carpete estampado que cobria boa parte do chão de mármore frio e escuro. Cortinas cinzas pendiam sobre duas grandes janelas impedindo quase toda a claridade de entra
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Capítulo 2
Após receber as instruções sobre a rotina da casa, Lily acompanhou Sulivan em suas tarefas, observando com atenção. No decorrer da semana, mais adaptada, passou a cuidar das coisas de Collin, mas procurando se manter resignada em relação a ele. Não queria forçar uma aproximação prematura. Desde que Lily chegou ele raramente saía do quarto, seu dia a dia se resumia as necessidades básicas, como única distração passava horas escutando os canais de esportes, documentários e notícias na TV a cabo,  mas sem demonstrar qualquer sinal de ânimo ou interesse. Era apenas uma tentativa de manter a mente ocupada.Lily esperava que teria dificuldades para obter a aceitação dele. Porém, foi pior do que havia presumido. O rapaz parecia ter encontrado uma nova ocupação, a de tornar o contato entre eles o mais odioso poss&i
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Capítulo 3
Sulivan adorava ter a companhia de Lily. Em pouco tempo, a moça se ofereceu para ajudá-la a recuperar o jardim, e trabalhavam nele duas ou três vezes por semana, enquanto a dona da casa, contava histórias sobre sua família, aventuras de sua juventude e dos momentos preciosos que viveu ao lado do marido. A mais jovem, como uma perfeita ouvinte que era, a escutava com entusiasmo. Algumas vezes estas conversas tomavam um tom de desabafo. Sulivan se emocionava, chorava, e depois, envergonhada, se desculpava por obrigá-la a presenciar estes momentos de fraqueza.— Eu nunca me abri sobre essas coisas com ninguém, você entende? — justificou Sulivan tentando enxugar os olhos marejados com o antebraço — Não quero que o Collin se sinta culpado pela minha tristeza. 

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Capitulo 4
Era incompreensível, o sentimento que Sulivan tinha adquirido por uma estranha. Acreditava nela a ponto de lhe confiar o seu bem mais precioso. Admirava, a garota de olhar tenro e sorriso acolhedor, que tinha o dom de compreender as profundezas dos seus ressentimentos, e saber sempre o que dizer para animá-la. Começou a suspeitar que apesar de pouca idade, Lily já deveria ter vivido coisas suficientes que a tornaram tão madura. Às vezes seu olhar era distante e enigmático. Chegava antes do início do expediente, nunca pediu dispensa mais cedo, nunca reclamou de passar do horário, era bastante reservada sobre sua vida pessoal e era raro citar algo sobre a família. Às vezes Sulivan puxava uma conversa com intenção de descobrir mais, quando Lily notava a discreta invasão, dava respostas evasivas e mudava de assunto de forma abrupta.

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Capitulo 5
Como todas as manhãs, desde o acidente, Collin acordou desejando estar morto. Mesmo havendo se passado mais de quatro anos, ainda sentia o terror que era abrir os olhos e continuar no escuro. Permaneceu deitado por um tempo, juntando algum resquício de ânimo para se levantar. Arfou ouvindo as vozes da mãe e de sua cuidadora vindo do andar de baixo, prevendo que logo ela subiria com seu café  e  o importunaria por mais um dia inteiro. Sem nenhuma motivação, sentou na cama, girou o corpo colocando as pernas para fora, tateou o chão com os pés a procura dos chinelos e calçou-os lentamente. Esticou o braço em direção ao criado mudo, alcançando-o, apoiou-se para se levantar, sentindo o corpo pesado e fraco. Caminhou titubeando em direção à toalete, amparou-se na parede em frente e percorreu as mãos até a
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Capítulo 6
Na tarde do dia seguinte, quando Lily deu continuidade a leitura do livro, Collin recordou que não só já o havia lido, como fora um dos primeiros de sua vida. Causou-lhe espanto perceber que a história, aparentemente infantil, dialogava com ele e depositava reflexões penetrantes em sua alma. Tão profundas quanto a dor e o ressentimento que jaziam dentro dele.Collin seccionou sua vida entre o antes e o após perder a visão. O depois, era um purgatório, onde não podia voltar a viver, mas também não descia de uma vez ao inferno. Não podia realizar tarefas simples, como ler um livro, caminhar ao ar livre, andar a cavalo, jogar bola ou barbear-se. Não tinha ideia de como essas coisas eram valiosas, até perder tudo.Perdas. Sua vida ha
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Capitulo 7
Sulivan não precisava de explicações, mas soube que algo havia mudado no filho desde aquela conversa. No domingo à tarde, a TV do quarto de Collin estava ligada em um documentário sobre a vida dos insetos, o qual ele pouco escutava, enquanto lembrava da garota presunçosa que nos últimos dias, sempre arranjava um jeito de invadir seus pensamentos. Sulivan lhe fazia companhia e depois de um tempo o observando, resolveu tocar no assunto.— Filho, como você está com a Lily? — ela disse sentada na cama dele.A pergunta repentina o pegou de surpresa. Ele se endireitou na cadeira, enquanto instintivamente cerrava os punhos. Pensar sobre isso, não lhe era nada confortável.— Parece que a relaç&
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Capitulo 8
— Papai?Sócrates dormia quando ouviu o chamado distante de uma voz infantil. Despertou aturdido, mas, tranquilizou-se quando viu Helena dormindo ao lado. Acomodou-se novamente na cama e puxou cobertor cobrindo-se mais.— Papai? — ouviu outra vez quando pegou no sono.Abriu os olhos e teve que conter o grito, quando viu uma garotinha em pé no quarto. Esfregou o rosto tentando se livrar da visão, mas olhando uma segunda vez pode perceber que a conhecia muito bem.— O que faz aqui, meu amor? Volte para o seu quarto.A menina encostou o dedo nos lábios, pedindo silêncio, depois gesticulou com as mãos para que a acompanhasse. Ele obedeceu, levantando-se e a ac
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Capitulo 9
— Lily, você está doente? — disse Sulivan notando a palidez da moça de manhã.— Não. Estou bem. — mentiu, levantando-se do balcão para se retirar da cozinha. O chão sumiu debaixo de seus pés, e ela procurou por algo em que se apoiar até ser amparada pela outra mulher.— Você não está bem.— É. Parece que não. — assentiu.A mais velha passou os braços em torno dela e a ajudou a sentar-se novamente.— Fique quietinha aí. Você quer um copo de água? Um remédio? Quer que eu prepare um chá?

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Capitulo 10
— Cuidado com a cabeça, filho.Sulivan advertiu ajudando o filho a entrar no carro. Pela outra porta, uma eufórica Lily entrava acomodando-se ao seu lado. Era 01 de Maio, feriado do trabalho, e a primeira vez em anos, que Collin saía de casa. Suas mãos suavam e sentia-se como se estivesse sufocando. Quando o motorista ligou o motor do carro, foi afetado por um terror repentino. Frustrado e arrependido por ter chegado até ali, soltou o cinto de segurança e procurou pela maçaneta do carro.— Eu não consigo fazer isso. Desculpem, eu não quero mais ir.No banco da frente Sulivan olhou-o decepcionada, depois dele para Lily e de volta para ele.— Eu quero sair!
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