Isadora

Alexia
O homem me encara com curiosidade. Seu olhar analisa até a minha alma.
Porra, que olhar intenso...
— Eu sou Alexia Clark. Vim por causa da vaga de babá.
— Essa é a mamãe, papai. Eu te disse que iria achar ela.
— Isadora, nós já conversamos sobre isso. A sua mãe foi morar no céu, minha princesinha.
Daniel parece ser um magnata arrogante e frio como uma pedra de gelo, mas com a filha ele é todo doce.
Tenho certeza de que nunca tinha visto um homem tão atraente. O olhar dele não quer sair do meu.
Se controla, Alexia. Você veio para uma entrevista de emprego. Nem pense em dar em cima do homem que pode te tirar da lama.
— Mas, papai, ela é a mamãe que aparece nos meus sonhos. Você tem que se casar com ela.
— Seu pai já é casado comigo, lindinha.
Uma mulher loira, alta e magra, vestindo uma roupa elegante, surge descendo as escadas.
Ela me olha de cima a baixo com cara de nojo, como se estivesse vendo uma barata.
— Você é má.
— Isadora, por favor, se comporte. A Ivete é minha esposa e sua madrasta.
Ah, então essa miss azeda é a esposa dele. Isadora obviamente a odeia, e com razão!
— Então você quer ser babá dessa... coisa fofinha que tanto amo.
Fala, se abaixando e tocando na bochecha de Isa.
Não gosto nem um pouco do jeito que essa mulher olha para a menina.
— Ivete, cuide da Isadora, por favor. Me acompanhe, senhorita.
Mando um beijo para Isa e sigo Daniel até as escadas.
No corredor, vejo cinco mulheres bem vestidas que me olham com deboche.
Elas devem ter um currículo impecável.
E eu nunca fui babá antes.
Daniel entra no escritório. Eu entro logo depois.
Me sento de frente para ele.
— Então, senhorita Alexia, por que quer ser babá da minha filha?
Porque preciso de grana, penso em dizer.
— Eu adoro crianças, senhor Thompson. Nunca trabalhei como babá, mas, se me der uma chance, prometo que vou cuidar muito bem da sua princesinha.
Ele não diz nada.
Pelo amor de Deus, homem, fale alguma coisa.
— Pesquisei sobre a sua vida. Você só trabalhou como garçonete e faxineira. Qual é o seu interesse em ser babá?
— Tô na pindaíba. Esse emprego vai ser a minha salvação! A Isa gostou de mim e eu também gostei muito dela!
— Certo... Olha, senhorita, quando fiquei sabendo que você não tinha nenhuma experiência como babá, mas a Isadora te escolheu... Então vou te dar um mês de experiência. Se fizer minha filha sofrer, pode ter certeza de que não vai conseguir emprego nem no Alasca.
Nossa, ele fica tão sexy quando está com esse olhar sério.
— Não vou te decepcionar, senhor.
— Assim espero. Terá que morar aqui. É um problema?
— Não! Vou buscar as minhas coisas agora mesmo. Tô morando de favor.
— Ótimo. Assine o contrato de experiência.
Diz, me entregando o contrato junto com uma caneta.
Leio e assino.
— O meu motorista vai te levar para buscar seus pertences.
— Obrigada.
Digo e me levanto, mas, como sou a rainha dos desastres, caio no chão.
E, para piorar, o meu vestido sobe.
A minha calcinha com desenhos de corações fica à mostra.
Me levanto rapidamente, mas a droga do salto do meu sapato quebra e eu volto para o chão gelado.
— DROGA DE SAPATO!
Grito e levanto outra vez. Saio do escritório e dou um olhar contente para as mulheres, mostrando que consegui o emprego.
Vejo Isadora no jardim brincando. Ela corre em minha direção.
— Mamãe, você vai morar aqui?
— Sim, meu amor. Só vou buscar as minhas coisas. Quando eu chegar, a gente pode brincar do que você quiser.
— Oba! Vou arrumar as minhas bonecas.
Diz e entra na casa.
Vou ao encontro do motorista da família Thompson. Ele abre a porta para eu entrar e sento no banco do passageiro.
Não fui com a cara dele nem um pouco.
Ele se parece com o meu tio desgraçado.
— A senhorita é muito bonita. Tem namorado?
— Não, e nem quero.
Respondo seca, e ele não me pergunta mais nada.
Quando ele para o carro na casa de Dolores, eu abro a porta e saio, entrando na casa.
Pego as minhas coisas, agradeço Dolores e me despeço dela e da Eleonor.
Douglas, o motorista, coloca a minha mala no porta-malas.
Já dentro do veículo, coloco o cinto e ele dirige.
— Se quiser, posso te levar a um lugar pra se divertir na sua folga.
Fala, me olhando pelo retrovisor.
Que cara chato.
— Não, obrigado. Só fique quieto. Tô com dor de cabeça.
Douglas fica com uma expressão irritada e, felizmente, não abre mais a boca.
De volta à mansão, eu mesma levo a minha mala.
Uma empregada me mostra que o meu quarto fica ao lado do quarto de Isa.
Daniel

Nunca quis ser pai. No entanto, meu avô queria um neto, então ele me fez congelar o meu sêmen para que, no futuro, eu mudasse de ideia.
Eu era um homem extremamente irresponsável que só vivia na farra, gastava dinheiro com festas e mulheres.
Ficava dias bebendo, me recuperava da ressaca e voltava a beber.
Um dia, meu avô chegou em casa com um bebê nos braços.
Quando ele me contou que aquela menininha era minha, fiquei sem reação.
Ao pegar minha filha nos braços, ela sorriu para mim.
A partir daquele momento, prometi para mim mesmo que iria deixar de ser um moleque. Minha bebê merecia um pai de verdade.
Então parei de me afogar na bebida.
Me casei por conveniência. Afinal, Isadora precisava de uma mãe.
No entanto, apesar de Ivete tratá-la super bem, Isadora não gosta da madrasta.
Ela era muito calada e quieta.
Mas seu jeito mudou da água para o vinho quando Alexia Clark apareceu hoje.
Isa a chamou de mamãe. Ela nunca chamou Ivete de mamãe.
Por que ela chamou uma estranha de mamãe?
O que essa mulher tem de tão especial?
Sorrio ao lembrar das quedas dela.
A calcinha com desenhos de coração me fez ter vontade de rir.
A segunda queda dela, brigando com o sapato, foi hilária e adorável.
Alexia é diferente de todas as babás que já entraram nessa casa.
Ivete entra no meu escritório e começa a falar sobre uma festa que vai ter.
Mas não dou atenção.