Mundo de ficçãoIniciar sessão🔥
A manhã chegou silenciosa. Mas, diferente dos outros dias, Aurora acordou com uma sensação estranha no peito. Como se algo estivesse prestes a acontecer. Ela se levantou, tomou um banho rápido e vestiu o uniforme simples de trabalho. Prendeu o cabelo cacheado em um coque alto e saiu do quarto dos funcionários. A mansão estava tranquila. Organizada. Mas havia algo no ar. Uma tensão quase imperceptível. Aurora começou seu trabalho normalmente, limpando a sala principal. Mas não conseguiu evitar. Seu olhar subia, vez ou outra, para o segundo andar. Para a varanda. Para o lugar onde, no dia anterior… Adrian a observava. Ela respirou fundo. — Eu preciso parar com isso… Ele era seu chefe. Nada mais. Muito menos o tipo de homem com quem ela deveria sequer pensar em se envolver. Frio. Controlado. Perigoso. Definitivamente perigoso. Aurora estava organizando algumas almofadas quando ouviu o som de um carro entrando na propriedade. Ela olhou pela janela. Um carro preto, elegante, parou na frente da mansão. Minutos depois, a porta principal se abriu sem cerimônia. — Ainda não colocaram um segurança decente aqui? A voz masculina ecoou pela casa. Aurora reconheceu imediatamente. Jean Luca. Ela suspirou baixo. — Claro… O homem entrou como se fosse dono do lugar. Jaqueta de couro, olhar afiado, sorriso provocador. — Bom dia, principessa — disse ele ao vê-la. Aurora cruzou os braços. — Bom dia. — Dormiu bem? Ela estreitou os olhos. — Isso é da sua conta? Ele riu. — Gosto de você. — Não devia. — Eu nunca faço o que devo. Aurora balançou a cabeça e voltou a organizar a sala. Mas podia sentir o olhar dele sobre ela. Analisando. Calculando. Como se estivesse montando um quebra-cabeça. — Então… — disse Jean Luca, caminhando lentamente ao redor dela — você estuda gastronomia, trabalha aqui, mora na mansão… Aurora parou. Virou-se para ele. — O senhor também investigou minha vida? Ele sorriu de lado. — Eu prefiro chamar de curiosidade. Antes que ela pudesse responder, outra voz surgiu. Fria. Cortante. — Chega. Aurora e Jean Luca olharam ao mesmo tempo. Adrian estava parado na escada. Vestido com um terno escuro impecável, como sempre. Mas havia algo diferente nele. O olhar. Duro. Fixo em Jean Luca. Jean Luca abriu um sorriso. — Bom dia, juiz. Adrian desceu os degraus lentamente. — O que você quer? — Te ver. — Mentira. Jean Luca riu. — Ok, talvez não só isso. Ele lançou um olhar rápido para Aurora. E Adrian percebeu. Imediatamente. — Não — disse Adrian. Simples. Direto. Sem espaço para discussão. Jean Luca ergueu as mãos. — Relaxa. Mas o sorriso dele não desapareceu. Aurora observava tudo em silêncio. A tensão entre os dois era… real. Pesada. Como se existisse uma história ali que ela ainda não conhecia. — Eu tenho informações — disse Jean Luca finalmente. Adrian ficou imóvel. — Sobre? — Seus inimigos. Silêncio. Aurora sentiu o corpo enrijecer. Inimigos. De novo aquela palavra. Adrian lançou um olhar rápido para ela. — Continue seu trabalho. Aurora hesitou. — Eu… — Agora. O tom dele era firme. Sem espaço para questionamentos. Aurora assentiu e saiu da sala. Mas não foi muito longe. Parou no corredor. O suficiente para ainda conseguir ouvir. — Eles estão se movendo — disse Jean Luca. — Eu sei. — Não, você não sabe. Silêncio. — Tem gente nova envolvida. — Quem? — Ainda estou descobrindo. Aurora prendeu a respiração. Seu coração começou a bater mais rápido. — E tem mais uma coisa — continuou Jean Luca. — Fale. — Estão investigando sua casa. O corpo de Aurora gelou. — Isso já era esperado — respondeu Adrian. — Não. Silêncio. — Eles não estão interessados só em você. Aurora sentiu um arrepio subir pela espinha. — Então em quem? — perguntou Adrian. Jean Luca não respondeu imediatamente. E quando falou… a voz saiu mais baixa. Mais séria. — Na garota. O mundo de Aurora pareceu parar. Ela deu um passo para trás. Sem fazer barulho. O coração disparado. — Aurora? — disse Adrian, com a voz tensa. — Sim. — Por quê? Jean Luca deu de ombros. — Ainda não sei. Silêncio. Pesado. Perigoso. Aurora saiu dali antes que fosse descoberta. Entrou no primeiro cômodo vazio que encontrou. Fechou a porta. E apoiou as mãos na mesa. Tentando controlar a respiração. — O que está acontecendo…? Por que alguém estaria interessado nela? Ela não tinha nada. Não era ninguém importante. Era só… uma garota tentando sobreviver. Mas, no fundo… Aurora sabia. Seu passado nunca tinha desaparecido completamente. Ela apenas tinha fingido que sim. Na sala, Adrian estava imóvel. O olhar escuro mais intenso do que nunca. — Isso muda tudo — disse Jean Luca. Adrian respondeu sem hesitar: — Ninguém toca nela. Jean Luca o observou com atenção. E então sorriu de lado. — Então é assim. Adrian estreitou os olhos. — Assim como? Jean Luca cruzou os braços. — Você está envolvido. Silêncio. Adrian não respondeu. Mas também não negou. E isso… já era uma resposta. Jean Luca soltou uma risada baixa. — O juiz mais frio da cidade… — Cale a boca. — …está começando a se importar. Adrian virou-se lentamente. Os olhos perigosos. — Eu disse para calar a boca. Mas, pela primeira vez em muito tempo… Adrian sabia que Jean Luca estava certo. Porque não era mais apenas curiosidade. Nem atração. Era algo mais. Algo perigoso. E o pior de tudo… era que agora Aurora estava no meio disso. E se alguém ousasse encostar nela… Adrian Volkov não julgaria. Ele destruiria. 🔥






