Na manhã seguinte, a mansão parecia outra.
A luz do sol atravessava as enormes janelas de vidro, iluminando os corredores silenciosos e os móveis elegantes. Tudo parecia calmo, organizado… perfeito.
Mas Aurora não estava se sentindo exatamente tranquila.
Ela acordou cedo, como sempre fazia, e agora estava limpando a enorme sala de estar da casa.
Enquanto passava o pano sobre a mesa de vidro, não conseguia parar de pensar na conversa da noite anterior.
Inimigos.
Aquela palavra ainda ecoava em sua mente.
Ela suspirou.
— Eu definitivamente preciso parar de pensar nisso…
Aurora não queria se envolver em problemas que não eram dela. Trabalhar ali era apenas um emprego temporário enquanto ela terminava seus estudos de gastronomia.
Era só isso.
Nada mais.
Mas, de alguma forma, trabalhar na casa de Adrian Volkov parecia… diferente.
Muito diferente.
Ela estava organizando alguns livros na estante quando ouviu passos atrás dela.
Pesados.
Firmes.
Aurora virou-se.
Adrian estava parado na entrada da sala.
Vestindo uma camisa branca perfeitamente passada e calça social escura, ele parecia ainda mais imponente à luz do dia.
Os cabelos escuros estavam levemente úmidos, como se tivesse acabado de sair do banho.
Mas o que realmente chamou a atenção de Aurora foi outra coisa.
Ele estava olhando diretamente para ela.
Com aquele olhar intenso.
Como se estivesse analisando cada detalhe.
— Bom dia — disse ela, tentando parecer natural.
Adrian não respondeu imediatamente.
Ele caminhou lentamente pela sala.
— Você acorda cedo.
— Faz parte do trabalho.
Ela voltou a organizar os livros na estante.
Mas podia sentir os olhos dele em suas costas.
Aquilo a deixava estranhamente nervosa.
— Você cozinha bem — disse Adrian de repente.
Aurora virou-se novamente.
— Obrigada.
Ele parou diante dela.
Agora estavam mais próximos do que o necessário.
— Onde aprendeu?
— Eu estudo gastronomia.
— À noite?
Aurora assentiu.
— Sim.
Adrian parecia pensativo.
— Então você trabalha aqui durante o dia… e estuda à noite?
— Sim.
— Por quê?
Aurora cruzou os braços.
— Porque eu gosto de cozinhar.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não parece uma resposta completa.
Ela soltou uma pequena risada.
— Não é.
Por um momento, Adrian pareceu esperar que ela continuasse.
Mas Aurora apenas voltou a organizar os livros.
Ele observou aquilo em silêncio.
Algo naquela garota era diferente.
Ela não parecia impressionada com dinheiro.
Nem intimidada pelo poder dele.
Na verdade, Aurora parecia tratá-lo como se ele fosse apenas… um homem normal.
E Adrian Volkov definitivamente não estava acostumado com isso.
— Você não tem medo de mim — disse ele de repente.
Aurora virou-se.
— Eu deveria?
Silêncio.
Os olhos deles se encontraram novamente.
A tensão entre os dois parecia crescer a cada segundo.
— A maioria das pessoas tem — respondeu Adrian.
Aurora deu de ombros.
— Eu não sou criminosa.
Ele deu um pequeno sorriso de canto.
— Ainda não.
Ela revirou os olhos.
— Muito engraçado.
Mas antes que a conversa continuasse, o celular de Adrian começou a tocar.
Ele olhou rapidamente para a tela.
A expressão dele mudou.
Instantaneamente.
O olhar ficou frio.
Perigoso.
— Volkov — disse ele ao atender.
Aurora tentou não prestar atenção.
Mas era impossível não ouvir parte da conversa.
— Como assim ele escapou?
O coração dela acelerou.
Escapou?
Adrian ficou em silêncio por alguns segundos, ouvindo o que a pessoa do outro lado dizia.
— Eu quero todas as informações agora.
Ele desligou o telefone.
Aurora olhou para ele.
— Problemas?
Adrian não respondeu.
Ele parecia concentrado em pensamentos que estavam muito longe dali.
— Continue seu trabalho — disse ele finalmente.
E saiu da sala.
Aurora ficou parada por alguns segundos.
Algo naquela ligação claramente não era bom.
Ela voltou a limpar a sala.
Mas alguns minutos depois, quando levantou o olhar para o segundo andar da mansão…
viu algo curioso.
Adrian estava parado na varanda do corredor superior.
Observando.
Observando ela.
Aurora franziu levemente a testa.
E por algum motivo, seu coração começou a bater um pouco mais rápido.
Porque aquela não era apenas a forma como um patrão olhava para uma funcionária.
Era algo diferente.
Algo mais intenso.
Algo que parecia crescer cada vez mais entre eles.
E Aurora começava a perceber…
que trabalhar naquela casa talvez não fosse tão simples quanto ela imaginava.
Especialmente quando o homem que mandava ali começava a olhar para ela…
como se estivesse tentando decidir algo muito perigoso.
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