Mundo de ficçãoIniciar sessãoEliza acreditava que sua vida não poderia se transformar em um pesadelo maior. Após ser traída por quem mais amava, humilhada publicamente e carregar as marcas de uma agressão covarde silenciada por sua própria família, ela decide romper com tudo. Sem eira nem beira, ela joga seu avental de cozinheira e foge da alcateia corrupta que a quebrou, disposta a desaparecer no mundo humano. O que Eliza não sabia é que seu destino havia sido selado muito antes de seu nascimento. Existe um contrato de sangue, assinado por seus antepassados, que a vincula diretamente à realeza mais poderosa do mundo sobrenatural. Seu prometido não é um lobo comum: ele é o herdeiro do trono, um Príncipe Lycan conhecido por ser libertino, implacável e voraz. Um homem acostumado a ter tudo o que deseja e a subjugar quem cruza seu caminho. Quando os caminhos da loba rejeitada e do príncipe herdeiro finalmente se cruzam, o contrato milenar é ativado. Eliza se recusa a ser a marionete de mais um macho alfa, mas o Príncipe Lycan não aceitará um "não" como resposta. Em um jogo perigoso de sedução, segredos de estado e instintos primitivos, ela terá que decidir se entrega seu coração quebrado ao predador mais perigoso de todos, ou se usa o poder dele para iniciar sua tão sonhada vingança. ⚠️ Aviso de Conteúdo / Gatilhos: Esta história aborda temas maduros e sensíveis, incluindo violência física e psicológica no passado da protagonista, além de cenas de romance sombrio e possessivo. Não recomendada para menores de 18 anos.
Ler maisEu acordei mais cedo do que de costume. O dia ainda estava escuro, mas eu não sentia mais sono. Não consegui dormir direito; o meu nervosismo falava mais alto. Eu era uma das últimas jovens da alcateia a completar 18 anos e, hoje, finalmente iria participar da cerimônia na floresta para encontrar a minha loba e libertá-la para correr livremente.Tinha tantas perguntas que não saíam da minha cabeça; passei o mês inteiro pensando nisso. Só mais um dia e eu poderia me sentir completa com a minha loba e encontrar o meu companheiro de alma. Alguém que fosse gostar de mim... Gostar não, me amar! Finalmente alguém para me defender das coisas horríveis que as pessoas me diziam desde pequena.Por ser a gordinha da matilha, os outros lobos achavam que tinham o direito de zombar de mim. Falavam coisas desagradáveis, xingavam e tiravam sarro da minha aparência. Eu tentava não levar para o coração, mas era tão difícil. Às vezes eu chorava no banheiro, escondida de todos, mas limpava as lágrimas e saía de lá me fazendo de durona.Para tentar escapar dessa situação, resolvi me esconder na cozinha da alcateia. Ali, entre as panelas e o calor do fogão, ninguém falava da minha forma física. Eu adorava fazer doces e todos começaram a me admirar por ser tão jovem e talentosa. Mesmo assim, de vez em quando, algum lobo jovem tentava me destratar, mas os cozinheiros sempre me defendiam. Talvez tivessem pena de mim. O fato é que passei a minha adolescência inteira ali, protegida e escondida na cozinha.Há dois anos, no entanto, senti que alguém finalmente estava me enxergando além do meu peso e do meu corpo. Uma família de lobos tinha se mudado para a casa ao lado da minha, e com eles veio Christian, um lobo um ano mais velho que eu. Ele sempre puxava assunto, me acompanhava até o trabalho, aceitava os doces que eu preparava e me enchia de elogios.Até que um dia tomei coragem e o convidei para um piquenique. Ele aceitou na hora. Marcaram de ir na minha folga, dali a três dias. Passei esses três dias sonhando acordada. Imaginava se aconteceria o meu primeiro beijo... Quem sabe, um pedido de namoro? Quanto mais eu pensava, mais o meu coração acelerava de felicidade.Com o dinheiro que guardei do meu trabalho, comprei um vestido rosa-claro com estampas de flores pequenas, um perfume novo e um par de brincos com pedrinhas verdes para combinar com o colar que eu sempre usava. Pela pouca atenção que eu recebia da minha própria família e dos amigos, acabei me apegando e começando a amar o Christian. Achei que, lá no fundo, ele sentia o mesmo por mim.Quando o tão sonhado dia chegou, pulei da cama cedo. Coloquei o vestido novo e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alinhado. Fui para a cozinha e comecei a arrumar a cesta com os sanduíches e bolos que passei a madrugada preparando. Assim que terminei, corri para o banheiro, escovei os dentes e fiz uma maquiagem bem leve. Coloquei os brincos novos e borrifei o perfume. Olhando-me no espelho, sorri de verdade. Fazia muito tempo que eu não me arrumava daquele jeito.Às 8:00 em ponto, a campainha tocou. Meu coração quase saiu pela boca. Fui atender e lá estava o Christian, vestindo uma camiseta vermelha de banda e o boné virado para trás. Só que ele não parecia radiante como eu; seu semblante era cansado, com olheiras fundas, como se não tivesse dormido nada aquela noite. Pensei que talvez estivesse nervoso como eu... ou talvez não.— Bom dia, Christian! — eu disse, abrindo o meu melhor sorriso.ele perguntou, sem muita energia.
— Você já está pronta ? — Já sim! Me ajuda a pegar a cesta? Acabei me empolgando na cozinha e fiz comida demais — falei, tentando disfarçar o tremor na voz pelo nervosismo. — Vou levar para o carro — ele limitou-se a dizer. Christian pegou a cesta e caminhou em direção à calçada. Saí logo atrás dele e notei que ele estava com um carro novo: uma caminhonete preta, imponente e muito bonita. — Belo carro! — elogiei, tentando puxar assunto. — Obrigado. Ganhei de presente de aniversário . — Que legal — respondi, subindo no banco do carona. Ele deu a partida, mas logo diminuiu o ritmo e me olhou de lado. — Eliza, eu sei que a gente tinha marcado de ir naquele parque perto da entrada da alcateia, mas eu encontrei um lugar muito mais legal. Você não quer ir lá comigo? Tem uma fonte linda perto da floresta. Olhei para ele, surpresa. — Perto da floresta? Mas Christian, lá é proibido entrar. — Eu já fui várias vezes, é super tranquilo. E eu vou estar lá com você para te proteger, lembra? Meio relutante, mas confiando cegamente nele, eu aceitei.CHRISTIAN Fazendo a última prova da roupa do casamento, olhei para o espelho e comecei a pensar na minha amiga. Eu havia sido um ogro com ela. Como eu pude dar um tapa na Eliza, sendo que a conhecia tão bem? Eu sabia perfeitamente que ela jamais faria aquilo contra a Kelly. E o pior: como eu fui capaz de dizer que ela mereceu o que os gêmeos fizeram com ela? Eu estava completamente fora de mim. Ultimamente, isso vinha acontecendo com frequência, principalmente quando o assunto envolvia a Kelly e o filhote. Depois daquela terrível confusão na cozinha da alcateia, minha primeira reação foi querer ir atrás da Eliza para me explicar. No entanto, surgiram tantas obrigações do casamento e tantas decisões para tomar em cima da hora que acabei soterrado. Eu não podia deixar a Kelly sozinha; ela estava grávida e não podia passar por estresse. Por isso, acabei não indo conversar com a Eliza. Mas decidi que, logo após o casamento, eu iria me explicar. Ela me entenderia. Eu só estava sobrec
Eliza Trabalhando na cozinha da alcateia, como fazia todos os dias, fui pega de surpresa quando, de uma hora para a outra, uma fofoca começou a correr entre as bancadas: haveria um casamento no final de semana. Quem, em sã consciência, organizaria um casamento em tão pouco tempo? Uma cerimônia de grande porte precisava ser planejada com calma, envolvendo comida, bolo, doces e decorações. Teríamos um trabalho monumental pela frente. Como a nossa equipe daria conta de abastecer uma alcateia daquele tamanho em poucos dias? — Nós estamos ferradas... Um casamento em cima da hora assim é loucura — reclamou uma das cozinheiras. — Sim, pouquíssimo tempo — concordou outra. — E o pior: é para a Kelly. — O casamento é da Kelly?! — perguntei, com a voz um pouco alta demais. — Por que a surpresa? Ela encontrou o companheiro dela. Mas, pela pressa toda, acho que ela engravidou. — Engravidou... É, pode ser — murmurei, disfarçando o impacto da notícia. Calei-me imediatamente e voltei a focar
Kelly Já fazia duas semanas que a minha menstruação estava atrasada. O nervosismo começava a se misturar com a expectativa: talvez eu estivesse realmente grávida.Para piorar a tensão, aquela já era a quinta vez que Christian precisava refazer a marca de acasalamento no meu pescoço, pois ele não entendia o motivo de ela sumir tão rápido. Na frente dele, eu fingia que não doía, mas a verdade era que eu mal conseguia aguentar. O local latejava o dia inteiro, em uma queimação insuportável.Era como se o meu próprio corpo soubesse que eu não era a parceira legítima dele e rejeitasse aquela magia forçada. Faltavam apenas três semanas para a cerimônia de maioridade da alcateia; eu precisava arrancar esse casamento logo.Terminei a maquiagem às pressas, vesti uma calça jeans, uma camiseta e calcei os tênis. Eu precisava ir correndo à farmácia humana comprar um teste de gravidez para ter certeza absoluta antes de dar o próximo passo. — Filha, onde você vai? — A voz da minha mãe ecoou pelo co
CHRISTIANAcordei abraçado à minha companheira. Na noite anterior, guiado por um momento de puro instinto selvagem, selei o nosso compromisso definitivo. Uma parte de mim sentia que eu havia sido impetuoso demais por não ter conversado adequadamente com ela antes, mas, no fundo, o feitiço místico que nublava minha mente não me deixava ter dúvidas: ela era a pessoa certa para mim. A presença de Kelly me trazia uma paz imensa e, ao mesmo tempo, um instinto de proteção que eu nunca havia sentido com tanta intensidade na vida.Observei-a em silêncio enquanto ela ainda descansava. Eu estava radiante, com o coração acelerado e uma energia que mal conseguia conter dentro do peito. Esperei que ela despertasse por alguns minutos, mas a ansiedade e o desejo acumulado falaram mais alto.Comecei a deslizar a mão pelo corpo dela. Kelly continuava pesada no sono, o que me trouxe uma pontada leve de desapontamento; eu queria sentir o calor dela de novo. Sabia que ela deveria estar exausta, afinal, eu n
Último capítulo