Felipe Lutero

Depois que Penélope destilou seu veneno, deixando o clima pesado como uma névoa tóxica que sufocava todos ao redor, Carolina ficou estranha – um véu de inquietação cobrindo seus olhos, mesmo quando tentava disfarçar com um sorriso forçado. Vi o turbilhão em seu olhar, o peso invisível que a fazia parecer distante, como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.

Ficamos pouco tempo no evento, o ar carregado de murmúrios e olhares furtivos. Ao sair do local, dentro do carro, notei Carolina pensativa demais, o rosto iluminado pela luz fraca do painel, enquanto eu focava no trânsito caótico da cidade. Tentei puxar assunto, quebrando o silêncio que crescia como uma tempestade prestes a explodir.

No estacionamento, saio do carro pronto para abrir a porta para Carolina, mas ela foi rápida – abrindo-a com um movimento ágil e saindo caminhando para o elevador, como se fugisse de algo que não podia nomear. Sigo atrás dela, calado, a mente a mil, o coração martelando com misturas de pr
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