(Laura narrando)
Acordei no dia seguinte pensando nas palavras de Priscila.
"Você ainda tem pessoas que te amam."
Passei a noite inteira repetindo aquela frase na cabeça.
Talvez ela tivesse razão.
Desde que meu pai morreu, eu tinha parado de viver.
Os dias eram iguais.
Acordar.
Chorar.
Tentar ler.
Olhar fotografias.
Dormir.
E recomeçar tudo outra vez.
Nem percebi quando comecei a existir em vez de viver.
Desci para tomar café.
Dona Célia já estava na cozinha.
Sorriu assim que me viu.
— Dormiu