Capítulo 185
Manuela Strondda
Acordei dolorida.
Não aquela dor insuportável — era um incômodo espalhado pelo corpo, como se cada músculo lembrasse da noite passada com atraso. As pernas reclamavam quando me mexi. A lombar também, em baixo ardia um pouco. Mas o que mais me incomodou… foi outra coisa.
Algo estranho por dentro. Um vazio.
Abri melhor os olhos.
Nenhum peso ao meu lado. Nenhum olhar me observando. Nenhuma mão grande, possessiva, verificando se eu ainda respirava — como Hugo costumava fazer sem perceber.
— Hugo…? — chamei baixo.
Nada.
Sentei com cuidado, puxando o lençol, observando o quarto. O banheiro estava vazio. A porta aberta. O chão seco. Ele já tinha saído.
E aquilo me pegou desprevenida.
Não pela ausência, mas porque, na noite anterior, Hugo não foi só o Corvo.
Ele foi o médico, o marido.
O mesmo homem que me examinou com atenção excessiva no dia em que nos conhecemos. O mesmo que cuidou sem pressa, sem pressões, sem ordens. Algo nele e