Nayla
Tomei um banho rápido antes de ir à casa da Rafaela. Eu já sabia que aquela conversa não ia terminar bem. No fundo, uma parte de mim achava que talvez fosse melhor não dizer nada. Mas se eu ficasse em silêncio e ela fosse atrás de Zayd, eu nunca me perdoaria.
A mãe dela não merecia passar por mais isso.
E a criança, muito menos.
Meu instinto de amiga gritava que Rafaela não tinha maturidade emocional suficiente para se afastar daquele homem. Ela confundia abandono com oportunidade. Confundia medo com esperança. E isso costuma acabar do pior jeito possível.
Bati à porta respirando fundo, tentando me controlar para não perder a linha. Eu precisava ser firme — não violenta, não cruel — firme.
Rafaela abriu a porta com o rosto cansado. Quando me viu, sorriu, aliviada.
— Posso entrar? — perguntei. — A gente precisa conversar sobre algo sério.
— Claro — ela respondeu, abrindo espaço.
Entrei, me sentei no sofá e confirmei se a mãe dela não estava em casa. Não era assunto para plateia.